Realizada anualmente desde 2009, a Mostra Itaú Cultural Cinema de Bordas tem como foco exibir trabalhos realizados com baixo orçamento, poucos recursos, mas com muita paixão e criatividade.

 

Esses vídeos feitos no improviso e na camaradagem revelam assim uma historiografia cinematográfica paralela à tradicional, mas não menos importante. As obras circulam principalmente em circuitos de exibição periféricos, já que estão relacionados a grupos de realizadores autodidatas, moradores de cidades pequenas ou de arredores das capitais. Não poderia ser diferente, uma vez que as obras são adaptadas às regiões, ao modo de vida e ao imaginário popular das comunidades que lhes deram inspiração.

 

Nesse espaço você conhece esses realizadores que participaram das 4 edições do Cinema de Bordas e seus respectivos vídeos. Neles é possível identificar a vontade, a necessidade de colocar em prática, com os recursos disponíveis, o amor pelo cinema.



Itaú Cultural
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Uma constelação de sotaques e gêneros


Pela sexta vez, o Itaú Cultural promove a Mostra Cinema de Bordas, que tem como função principal exibir filmes de baixíssimo orçamento feitos em cidades do interior ou na periferia dos principais centros de produção cinematográfica do país.


São longas, médias e curtas com características bastante específicas, ligadas às táticas do entretenimento e ao orçamento, que beira o precário. Os filmes de bordas, no entanto, sempre aproveitam e exploram ao máximo as próprias carências, alimentando-se da experiência trivial e da precariedade com que se realizam.


O recorte temático desta edição da mostra recai sobre a multiplicidade e a heterogeneidade de gêneros cinematográficos dos filmes de bordas. Nessas produções os gêneros são mais pautados pela experiência e pelo contato pessoal de cada realizador com os produtos cinematográficos e audiovisuais do que pela estrutura tradicional genérica. Por isso, cenas, personagens e situações parecem já vistas, sobretudo em filmes hollywoodianos. O diferencial está no toque periférico e no sotaque que marca cada região do Brasil.


Na mostra os espectadores podem assistir a faroestes que acontecem no planalto paulista ou em pleno sertão nordestino; filmes de ação passados em subúrbios e cidadezinhas do país; filmes que misturam fantasmas, fantasias e lendas de certas regiões brasileiras; ficção científica com peripécias à moda da casa; comédias escrachadas em feiras interioranas; melodramas e dramas shakespearianos toscamente rasgados; filmes do submundo com excesso precário de sangue e suor; heróis e heroínas de HQs deslocados; zumbis que vagueiam pela desertificada paisagem do Nordeste ou que pulam Carnaval em Copacabana. São histórias bizarras, engraçadas ou absurdas, que fazem as delícias de quem se atreve a delas gostar.


Alguns dos filmes de bordas aqui selecionados são quase invisíveis aos olhos do público. Uns nunca saíram do âmbito de seu círculo estreito de realização; outros já foram exibidos em festivais alternativos ou mostras quase sempre circunscritas a uma monotemática de gênero que, ao privilegiar determinado modelo, acaba por excluir os demais.


Os trabalhos têm como traço comum, no entanto, a vontade de ter um lugar ao sol no cinema. E seus realizadores estão acostumados a percorrer a via-crúcis dos poucos circuitos de exibição que se mostram receptivos e lhes abrem oportunidades, na luta para fazê-los vistos e reconhecidos.


Mostra Cinema de Bordas inclui-se nas que partilham esse périplo e apresenta uma proposta carinhosamente inclusiva, passando ao largo de denominações dicotômicas – como aquela que põe de um lado o cinema de estúdio e de outro o cinema chamado de independente.


Os filmes de bordas não atendem e não servem senão a um propósito único: o desejo de fazer cinema. Um desejo que move e motiva, igualmente, cineastas amadores e profissionais, de todos os tipos, de todas as idades, de todos os estratos sociais, espalhados por todo o país.


Bernadette Lyra

curadora

 

Minibios


Bernadette Lyra é escritora e pesquisadora de cinema. Possui graduação em letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mestrado em comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado em cinema pela Universidade de São Paulo (USP). Tem pós-doutorado pela Universidade René Descartes/Sorbonne (Paris V) e atualmente é professora titular da Universidade Anhembi Morumbi.


Gelson Santana é formado em comunicação social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre e doutor em ciências da comunicação pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular do mestrado em comunicação da Universidade Anhembi Morumbi. É curador das mostras de cinema de bordas do Itaú Cultural desde 2009.


Laura Loguercio Cánepa é jornalista e pesquisadora de cinema. Doutora em multimeios pela Unicamp e mestre em ciências da comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, é, atualmente, professora do mestrado em comunicação da Universidade Anhembi Morumbi e pós-doutoranda no Departamento de Cinema, Televisão e Rádio da ECA/USP. É curadora das mostras de cinema de bordas do Itaú Cultural desde 2011.

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quinta 25  a domingo 28 de junho 2015 | SP

quinta 25

18h | programa 1

[classificação indicativa 16 anos]

Conflitos e Abismos – a Expressão da Condição Humana, Everlane Moraes

Olhinhos, de Lucas Mendes

Uma Feira Livre, Nivaldo Oliveira

 

20h | programa 2

[classificação indicativa 14 anos]

Depois do Fim, de Luciana Ramin, Gabriel Netto e Francesca Catricalá

Zona Trash, Clauwelivan S. Rocha

 

sexta 26

18h | programa 3

[classificação indicativa 14 anos]

No Rastro da Espoleta 3, Bonerges Guedes e Vinicius Guedes

Abutres, Arlindo Filho

Sem Acordo, Marcus Barbosa

 

20h | programa 4

[classificação indicativa 16 anos]

Laboratório do Dr. Sepúlveda, Coffin Souza,

Aptidão, Sandro Debiazzi

Enigmas do Além, Igor Simões Alonso

Iandara, Vini Trash

 

sábado 27

18h | programa 5

[classificação indicativa 16 anos] 

Tropa Zumbite 5, as Piratas do Cabide, Michel Klafke e Paulo Ballado,

Degradação das Almas, Ismael Moura

Lembranças do Amanhã, Bruno Pereira

Sexta-Feira da Paixão, Ivo Costa

William Shakespeare’s Macbeth do Tocantins, Sérgio Ricardo Soares

Os Últimos Dias de Papai Noel, Eduardo Aguilar

Judas, Joel Caetano

  

20h | programa 6

[classificação indicativa 18 anos]

Carniçal, Rubens Mello

Malpassado, Julio Wong

Mandala Night Club, Lula Magalhães

O Estripador da Rua Augusta, de Geisla Fernandes e Felipe Guerra

 

domingo 28

17h | programa 7

[classificação indicativa 14 anos]

Tropa Zumbite 6, Bem-Vindos à Covacabana, Michel Klafke

Vai que É Tua, Tafarinha, George Augusto

Superamigos, o Dia dos Dinossauros, Valter Santos

Pé de Cabra, Milton dos Santos Jr.

 

19h | programa 8

[classificação indicativa 14 anos]

Enquanto Faço as Unhas, Cristiano Requião

A Maldição do Sanguanel, Felipe M. Guerra e Carlos Barbosa

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